
Rotina: Tédio e Solidão A vida prossegue sem pouco mudar Todo dia volto pro mesmo lugar Pra encontrar os mesmos rostos Que, no entanto, permanecem contendo algo de inéditos, E que de algo novo carecem Todo dia com as mesmas companias Que tão pouco conheço de fato Sempre distantes para sentí-las nem sequer através do tato Formalismo e conversas supérfulas Relações sem intimidade e frias Companheiros apenas da futilidade Do porre alcóolico num bar imundo Da busca irracional por sexo Das engraçadas piadas sem nexo Do violão como música de fundo Das andanças sem finalidade Apesar do prazer de toda a diversão Ainda assim ataca-me a solidão E uma monotonia permanente E sempre em estado latente Só, mesmo com tanta gente Entediado, apesar de sempre ocupado Quero ver beleza jovial diferente Em pensamentos novos ficar distraído Quero acumular experiência Da rotina já estou sem paciência Quero conhecer quem me conheça E que, por algumas breves falas, minhas verdades interiores, reconheça, Que minha consciência tanto calas Quero o sabor fresco da novidade E alguém que me conheça na totalidade Para suportar o avanço da idade E, quem sabe, obter algum prazer Dar algum sentido ao meu ser Assim, talvez, obterei a tal felicidade ***** Considerações Finais: As vezes me bate essa inspiração poética (que ultimamente me tem faltado para a prosa, diga-se de passagem) e consigo produzir algo que preste. O poema acima é o resultado de um desses momentos em que fui misteriosamente possuído pelo belo espírito do fazedor de versos e laboriosamente fiz algo razoavelmente bom.
Escrito por Bruno Uchoa às 21h14
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