Desabafo poético do não-poeta
Ah! Quem me dera ser poeta Ser capaz de converter dor em verso Expulsar do corpo e condenar ao papel Os torturantes sofrimentos da alma!
Ah! Quem me dera ser poeta Para deixar a alegria transceder Os limites impostos ao ser Poder dar em silêncio o berro alto Pelo qual tanto anseio mas que não posso dar!
Esta vida bem-aventurada de poeta É a vida que quero ter! É na poesia que se faz a liberdade Nos versos damos o grito contido Choramos as lágrimas reprimidas Rimos a gargalhada negada Longe da coercitividade dos outros E Ignorando o nosso próprio bom-senso
É na poesia que se faz a felicidade É fazendo versos que nos permitimos Sentir exageradamente as emoções Que tão arduamente controlamos Apesar da vontade de a elas nos entregar! É nas poesias que o homem se entrega À experimentação intensa Até das mais banais sensações Do tão mediocrizado cotidiano!
Ah! Quem me dera ser feliz e livre Tal qual um bom e verdadeiro poeta!
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Considerações Finais: Como muitos sabem, eu tenho mais habilidade para escrever em prosa do que em versos. A qualidade das minhas crônicas ou ensaios são incomparavelmente superiores às dos meus poemas. Mesmo assim, ainda insisto em ter uma produção poética - que, muitas vezes, é de péssima qualidade. De todos os poemas que escrevi, poucos são razoáveis, sendo este acima um destes.
Gostei do poema acima, expressa muito bem o porquê de eu lamentar não ser um poeta. Espero que o leitor também goste dele.
Escrito por Bruno Uchoa às 03h04
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