Nem luto, nem festa

Como reagir à morte de Pinochet
Não deve haver luto pelo Pinochet, aquele que perseguiu pessoas por causa de seus ideais, sendo muitos deles não envolvidos com qualquer tipo de atividade “perigosa”. Foi sob seu governo que a liberdade de expressão foi limitada e que arbitrariedades foram cometidas. Não se deve chorar por um ditador, por alguém que não tolera o que pensa diferente, o paranóico que mata por causa de um medo irracional – neste caso, o temor da “ameaça” vermelha.
Porém, os que, assim como eu, defendem a livre circulação de idéias e a constitucionalidade de todas as orientações ideológicas, não devem também ficar felizes com a morte deste ditador. Felicitar-se com o falecimento de alguém que possua ideais e opiniões diferentes das nossas é estar se igualando aos ditadores. Os defensores da democracia contradizem suas próprias crenças quando comemoram a morte de um indivíduo que tinha um posicionamento político contrário, por mais odiosa que fosse esta posição. Somente aos ditadores está reservado a alegria da morte de quem a eles se opõe; aos liberais, não deve haver prazer desta espécie.
Por esses motivos, proponho que não haja nem luto nem festa pela morte de Pinochet. Assim, estaremos mostrando sermos moralmente superiores, tolerantes até mesmo com quem não seria capaz de nos tolerar. É desta maneira que deve agir o verdadeiro democrata.
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Considerações Finais: Este texto é uma reação aos "defensores da democracia" que ficaram felizes com a morte do ditador. Espero ter sido clara a minha mensagem.
Escrito por Bruno Uchoa às 02h43
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