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Três histórias que não mudarão a tua vida
Afinal, quem disse que toda arte tem que ter um fim prático?
A indecisiodade de Dona Amélia
Dona Amélia sempre foi indecisa. Ao sair, sempre ficava na dúvida de que roupa usar; no supermercado, não tinha certeza do que iria levar; para escolher filme na locadora, então, era uma demora imensa!
Quando estava grávida do seu primeiro filho, Dona Amélia não se decidia que nome dar a ele. O marido dava suas sugestões, mas ela sempre respondia com um vago: “não sei, é uma opção... tenho que pensar melhor sobre isto”. A indecisão durou até a hora do parto. Foi somente ao segurar o bebê pela primeira vez no colo e olhar atentamente para o seu rosto que conseguiu escolher o nome – que foi, aliás, o primeiro que lhe passou pela cabeça: Frederico.
Ironicamente, o filho odiou. Apresenta-se sempre pelo sobrenome e olha de cara feia a quem lhe chamar pelo primeiro nome.
Cuspe à distância
Bernardo, de sete anos, estava em casa com o seu vizinho e amigo Gustavo, de oito, ambos completamente entediados. Bernardo lia uma revistinha da Turma da Mônica com desinteresse; Gustavo rabiscava compulsivamente uma folha de papel, ansioso por algo que lhe proporcionasse algum tipo de emoção.
-Vamos fazer alguma! – falou Gustavo, terminando finalmente com o silêncio.
-O quê? – perguntou Bernardo.
Gustavo deu algumas sugestões, mas Bernardo não concordou com nenhuma. Depois um tempo de discussão, Gustavo, já irritado, gritou:
-Mas, afinal de contas, o que você quer fazer?
-Que tal agente ver quem cospe mais longe?
Gustavo aceitou. Então, foram os dois para a janela do quarto do Bernardo e começaram a cuspir, só parando quando a boca já tava seca e a garganta irritada de tanto forçar o acúmulo de catarro.
Este pelo menos é metafísico
Tomé era agnóstico: não sabia ao certo se devia acreditar ou não no que pregavam as religiões. Para a sua razão, parecia tudo ridículo; porém, uma espécie de força incompreensível o impelia a não aceitar a inexistência de Deus. Vivia, assim, em constante dilema entre o acreditar e o não-acreditar.
Incapaz de resolver satisfatoriamente este dilema que tanto lhe atormentava, Tomé optou pelo caminho mais fácil de obter a solução do problema: matou-se.
Com licença, agora vou ver se ajudo o meu primo a se assumir como ateu ou a entrar logo para uma dessas igrejas.
Escrito por Bruno Uchoa às 00h59
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Crise Existencial
(ou Existencialista?)

Ao longo da vida, acumulamos conhecimentos, experiências, sonhos realizados e não-realizados, memórias, bens materiais, mulheres, amigos... Mas para quê? Depois do curto tempo que estamos fadados a ficar na Terra, restará dessa existência insignificante apenas nossos cadáveres podres e fedorentos, mas apenas para serem devorados pelos vermes e fungos subterrâneos. O máximo de nós que sobrevive é uma herança a ser consumida por pessoas que compartilharão do mesmo destino - portanto, não há sentido sequer em deixá-la...
Tentamos dar um significado maior para as nossas vidas criando ilusões que nos motivem a continuar neste mundo. Contudo, no fim das contas, nada disso faz diferença. Os grandes e pequenos, os burgueses e operários, os revolucionários e alienados – todos têm o mesmo destino: o perecimento e, posteriormente, o esquecimento. Uns poucos serão lembrados e, em casos ainda mais raros, prestigiados postumamente; porém, seria isso o suficiente para justificar o fardo de se viver uma vida inteira?
Existimos apenas por mero acaso. Não há razões para estarmos aqui além das quais nós próprios inutilmente construímos. Somos seres ínfimos e efêmeros perante um magnífico e persistente universo; nada do que façamos irá alterar essa realidade.
Viver é a maior futilidade que existe.
Escrito por Bruno Uchoa às 03h14
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Em Defesa dos Sonhos
Não custa nada sonhar...
Com um mundo melhor Mesmo sendo uma utopia Ter fé na bondade das pessoas E de que – juntas – transformarão Esta sociedade numa mais justa Onde a felicidade é real E a dor, inconcebível E custaria nada também Lutar por este sonho, mesmo que inalcançável Ao invés de se conformar com o mundo que temos - e do qual não gostamos
Não custa nada sonhar...
Mesmo que seja com algo que não podemos ter Ter uma meta a alcançar É uma motivação pela qual acordar Dia após dia, ao longo da vida É dotar de sentido a própria existência Viver sem rumo É despertar todo dia sem porquê É apenas existir até morrer É não ter para onde ir, nem o que desejar
Não custa nada sonhar...
Nem que seja apenas para nos encher De falsas esperanças Para sustentar a crença De que os sofrimentos, as limitações e as renúncias Serão, com justiça, recompensados Para dar sentido à penitência E nos fazer crer na absurda idéia De que tudo, no final, valerá a pena Mesmo que num dia distante Do qual não temos uma prova sequer De que ele virá
Não custa nada sonhar...
E lutar por esse sonho Mesmo que pareça distante Ou até mesmo irrealizável Pois se o concretizarmos É inevitável a satisfação – a feliz satisfação De ter conquistado o que foi tão desejado E, mesmo que não o consigamos E que nos machuquemos no processo É preferível a tristeza de não ter conseguido Do que o arrependimento de sequer ter tentado
Não custa nada sonhar Sonhar para viver Para suportar a vida E dar-lhe sentido
Vale a pena sonhar Porque isto não custa nada A não ser algum esforço para alcançá-lo Ou, quem sabe?, alguma frustração Que é compensado pela animação Inerente a simples existência de um sonho
*****
Considerações: Eis acima a única poesia decente escrita por mim. Na verdade, ela foi feita há muito tempo atrás, já passou por algumas mãos e lidas por um pequeno punhado de gente, mas só resolvi postá-la agora.
Espero que gostem.
Escrito por Bruno Uchoa às 23h44
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Comentários rápidos sobre algumas coisas
Na preguiça de fazer textos grandes sobre temas específicos, resolvi fazer apenas comentários pequenos sobre assuntos diversos. Adotei também uma linguagem um pouco mais informal do que o habitual. Leiam e comentem.
Pois é, é Lula de novo...
Não sei se fico triste pelo Lula ter ganhado ou feliz pelo Alckimin ter perdido. Sei lá, talvez tenha sido dos males o pior - será isto suficiente para que eu não fique decepcionado com o resultado das eleições?
Outra vez sobre o voto nulo
Mais uma vez, ganhou o “menos pior”. Muitos votaram no Lula só para não dar voto ao Alckimin. Em contrapartida, muitos dos votos no Alckimin foram feitos apenas para não serem dados ao Lula.
Fico imaginando no que aconteceria se esses que escolheram votar no “menos pior” se recusassem a dar apoio tanto ao Lula quanto ao Alckimin. Com certeza, o “menos pior” que subisse ao poder iria temer a sua fraqueza e falta de legitimidade política, sustentado pelo apoio apenas de uma pequena parcela da população.
Intelectuais e o Ócio
Seguindo recomendações de uma professora da faculdade, li o livro Direito à preguiça, do Paul Lafargue, durante as férias de Julho. Nele, o autor argumenta que a história do movimento operário se desenvolveu de um modo que, ao invés de lutarem pela oportunidade de garantir que todos possam usufruir do ócio, lutam por mais trabalho. Assim, defende uma mudança de rumo da esquerda.
Agora, comprei o livro Elogio ao Ócio, do Bertrand Russell. Ainda não o li, mas, pelo que eu vi, a obra é, na verdade, uma coletânea de textos do autor, que segue uma linha de pensamento parecida com a do Lafargue. Estou ansioso para ler. Devo fazer isso durante as férias de fim de ano.
Feriado de... do... da... da... ah, peraí que tá na ponta da língua!
Quinta-feira, feriado; sexta-feira, aproveitando o feriado no dia anterior, enforcou-se. E aí, o que você fez? Viajou a praia ou à montanha? Ou ficou na sua cidade mesmo, aproveitando para sair com os amigos, visitar parentes ou pôr em dia algumas responsabilidades (o que duvido um pouco que alguém diga que fez)?
Por falar no feriado da semana passada, você sabe qual é a importância desta data? A sua origem? Aliás, perguntando melhor: você ao menos sabe dizer do que foi o feriado?
Ah, deixa para lá, não faz diferença. Afinal, feriado no Brasil não é para se comemorar nada, é apenas para aumentar as vendas das lojas ou para serem usadas como pretexto para uma coçassão de saco generalizada.
Escrito por Bruno Uchoa às 01h29
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