Um cadáver no posto de gasolina
Era mais uma madrugada de sábado em que eu voltava com os meus amigos para casa após uma reunião na Praça Varnhagem. No caminho, vimos um aglomerado de pessoas e dois carros da polícia num posto de gasolina que há perto da PE da rua Barão de Mesquita. Imaginamos, num primeiro momento, que tivesse acontecido alguma briga séria ou algo do gênero por lá e, por isso, a presença de tanta gente e de policiais. Curiosos, resolvemos ir para lá ver o que estava de fato acontecendo.
Quando nos aproximamos, reparamos que havia um cadáver. Mesmo coberto por um saco preto, pudemos ver partes do corpo do defunto. Resolvemos perguntar para dois jovens que também estavam no local o que tinha acontecido; responderam-nos que, muito provavelmente, se tratava de alguém que foi ferido gravemente durante uma reação a um assalto. Satisfeitos com essa explicação, saímos de lá e prosseguimos o nosso caminho para casa, esquecendo imediatamente dessa cena.
Um tempo depois, lembrando deste fato, percebi como tinha sido tão indiferente a algo tão terrível. Eu vi uma pessoa morta, uma provável vítima da violência urbana, e não senti nada quanto a isso – nem raiva, nem piedade, nem tristeza, nem nada. Foi como se tivesse me deparado com algo que, de tão rotineiro, não fosse capaz de deixar marca alguma em mim.
Será que sou tão frio e insensível assim? Ou será que apenas a morte seja algo que não consegue me perturbar? Não sei ao certo. Aliás, nem sei ao certo porque escrevo esta crônica, pois, com certeza, não é para desabafar – afinal, como disse, essa experiência não me deixou marcas e que certamente irei esquecê-la em breve. Acho que só escrevi mesmo para ter com o que atualizar este blog.
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Aos poucos leitores que ainda tenho (se ainda os tiver, de fato), justifico a minha ausência: não posso atualizar um blog de textos se eu não tiver um texto para postar. Ando escrevendo muito pouco, e também não tenho procurado obras de outros autores para pôr aqui.
Bem, pelo menos hoje eu postei - após dois meses sem postar nada, é verdade, mas isso significa que o Textando ainda não caiu totalmente no esquecimento nem foi completamente abandonado. Agora, para que não digam que o post foi totalmente inútil, seguem abaixo algumas citações.
Frases do Dia
"Quem sabe tudo suportar pode tudo ousar" - Marquês de Vauvernagues
"É mais fácil lutar por princípios do que viver por eles" - Alfred Adler
"Você deve ter mais sonhos do que memórias" - Wayne Calloway
"Uma morte honrosa pode glorificar uma vida sem nobreza" - Cícero
"Não te alegres com uma morte: lembra-te que todos morrerão" - Eclesiastes 8, 7
Escrito por Bruno Uchoa às 23h54
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